Economia

Em “super quarta”, Copom e Fed definem juros de seus países



Nesta quarta-feira (15), os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos estabelecem, de forma separada, o grau de elevação de juros que devem vigorar nas próximas semanas em seus países.

Para investidores brasileiros, o dia é chamado de “super quarta”, já que as duas definições devem mexer com o mercado.

O foco dos investidores, que aguardam os resultados, será nas sinalizações que aparecerão nos comunicados das autarquias após os encontros.

A reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve, nos EUA, terminará à tarde, por volta das 15h, enquanto a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central será divulgada a partir das 18h.

Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, os juros devem subir 0,5 ponto percentual, uma aposta que foi reforçada com indicadores econômicos divulgados entre maio e junho.

Por isso, especialistas consultados pelo CNN Brasil Business afirmam que o foco estará nos próximos passos desses ciclos de alta. Em relação ao brasileiro, sobre seu possível fim, e no caso norte-americano, sobre sua velocidade.

No Brasil, o fim de um ciclo?

O Copom começou a subir a taxa básica de juros, a taxa Selic, em março de 2021, colocando a economia brasileira como uma das primeiras dentre as maiores a iniciar um ciclo de alta de juros para combater a inflação, em geral, com causas semelhantes pelo mundo.

Mais de um ano depois, e com um recorde de 10 altas seguidas, a Selic saltou de 2% para 12,75% ao ano, e o mercado acredita que o Banco Central não deve parar por aí.

A visão da maioria dos agentes financeiros é que o Copom optará por elevar a Selic em mais 0,5 ponto percentual, passando os juros para 13,25% ao ano. A grande questão é se a autarquia sinalizará que vai parar por aí ou deixará a porta aberta para outra alta em agosto.

Mesmo achando que essa não deveria ser a ação ideal, a sócia-fundadora da Nord Research, Marília Fontes, não descarta que o Banco Central já indique no comunicado ao fim da reunião que optou por encerrar o ciclo atual de alta.

Já o economista-chefe da Órama, Alexandre Espírito Santo, acredita que o Banco Central deve indicar o fim do ciclo após a alta de 0,5 p.p. ou deixar em aberto a possibilidade de uma outra elevação futura, de 0,25 p.p.

Ele vê a taxa de juros atual como “muito contracionista”, e defende que “talvez seja melhor ficar em uma taxa de 13,25% por mais tempo do que subir mais e precisar voltar mais cedo. Se fizer 13,25% e vai até o meio do ano que vem, caindo só no segundo semestre, faria mais sentido do que ir além”.

Os próximos passos do Fed

Nos Estados Unidos, o quadro é outro. O Federal Reserve iniciou o ciclo atual de elevação de juros apenas em março deste ano. Desde então, os juros subiram do intervalo de 0% a 0,25% para 0,75% e 1% ao ano, enquanto a inflação se mantém no maior nível em quatro décadas.

O Fed sinalizou explicitamente que pretende subir os juros em 0,5 p.p. tanto em junho quanto em julho. O foco, portanto, deve ser em possíveis atualizações nessas projeções, englobando agora a reunião de setembro.

O economista-chefe da Necton, André Perfeito, observa que o dado de inflação divulgado na sexta-feira (10), do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA, apontou que a inflação no país está muito persistente, e sem sinal de queda, diferente do caso brasileiro.

“O Fed está tendo que correr atrás para controlar a inflação, e deve tentar sinalizar isso pelo comunicado. O tom deve ser mais duro, porque não tem como ignorar mais o cenário. O BCE também não subiu juros, então eles vão precisar ser mais duros”.

Mesmo assim, ele não espera que o Fed reverta a posição de descartar altas de 0,75 p.p. “O perfil da diretoria atual não parece ser de ajustes mais fortes. Mas subindo de 0,5 p.p. em 0,5 p.p., é muita coisa, e tem também o corte no balanço, que tem um efeito forte”.

Com informações CNN Business



Fonte: Portal Contábeis

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